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Organizando o caos: como estruturar o backlog de demandas de TI (para a empresa voltar a ter previsibilidade)

Por que o backlog de TI vira caos (e por que isso afeta o negócio)

Em muitas empresas, as demandas de TI chegam de todos os lados: mensagens, e-mail, reunião, “rapidinho no corredor”. Aos poucos, acontece o previsível:

  • Tudo parece urgente.
  • Ninguém sabe o que está sendo feito e por quê.
  • A área que “cobra mais” ganha prioridade.
  • A TI fica travada apagando incêndio e não consegue avançar no que importa.

Esse cenário não é só um incômodo. Ele custa caro: atrasos em processos, retrabalho manual, perda de oportunidades e desgaste entre áreas. Organizar o backlog é o primeiro passo para a empresa voltar a ter controle e previsibilidade.

O que é backlog (explicado de forma simples)

Backlog é a lista organizada de tudo o que a empresa pede para TI fazer. Pode incluir:

  • correções (algo que não funciona como deveria),
  • melhorias (deixar o processo mais rápido e simples),
  • ajustes e relatórios,
  • integrações entre sistemas,
  • projetos maiores (mudanças mais relevantes).

O backlog não é “uma lista de desejos”. Ele é uma ferramenta de decisão: ajuda a responder com clareza “o que vem primeiro e por quê”.

O que muda quando o backlog é bem organizado

Um backlog bem estruturado gera benefícios muito práticos para quem é de negócio:

  • Menos “briga por prioridade” As decisões ficam menos políticas e mais objetivas.
  • Mais previsibilidade de prazo As áreas entendem o que será entregue no curto prazo e o que entra depois.
  • Melhor uso do time de TI Menos interrupção, menos retrabalho e mais entrega real.
  • Mais transparência Você enxerga o que está em andamento, o que está parado e o que falta para destravar.
  • Menos urgência fabricada O que é realmente crítico passa a ser tratado como crítico. O resto entra na fila certa.

Por que o backlog costuma virar bagunça (as 5 causas mais comuns)

  1. Não existe um “dono” do backlog Se ninguém cuida da fila, ela vira um depósito infinito de pedidos.
  2. As demandas chegam mal definidas Pedidos como “preciso de um relatório”, “o sistema tá ruim”, “tem que melhorar isso” geram idas e vindas, reuniões e retrabalho.
  3. Falta critério para priorizar Quando não há regra, o que manda é urgência, barulho e pressão.
  4. Mistura de “apagar incêndio” com melhorias O urgente (quando existe) engole o importante. E o importante nunca chega.
  5. Não existe rotina de alinhamento e comunicação Sem um ritual simples (toda semana ou a cada 15 dias), as áreas ficam ansiosas e aumentam as cobranças — o que piora o caos.

Como estruturar o backlog de TI: um modelo simples que funciona

Você não precisa criar burocracia. Precisa criar combinados claros. Aqui vai um passo a passo objetivo.

  1. Crie um canal único de entrada (e pare de aceitar “por fora”) Escolha um lugar oficial para as demandas entrarem (uma ferramenta, um formulário, um e-mail específico, um portal). Regra simples: “Se não está registrado, não entra na fila.”

Isso diminui perda de informação e interrompe menos o time.

  1. Padronize o pedido com 6 perguntas rápidas Um backlog melhora muito quando o pedido vem bem descrito. Para qualquer demanda, peça:
  • O que você quer?
  • Qual problema isso resolve?
  • Quem será impactado? (qual área, quantas pessoas, cliente final?)
  • Qual o impacto se não fizer?
  • Existe prazo? Por quê?
  • Tem exemplo, print ou referência?

Esse padrão reduz retrabalho e evita “telefone sem fio”.

  1. Separe as demandas por tipo (isso reduz conflito na hora de priorizar) Uma forma simples de separar (em linguagem de negócio):
  • Crítico (parou a operação) Ex.: não vende, não emite, não acessa, impacta cliente diretamente.
  • Correções (dói, mas não parou tudo) Ex.: falhas pontuais, erros que atrapalham uma parte do processo.
  • Melhorias (para ganhar eficiência) Ex.: reduzir passos, automatizar, remover trabalho manual.
  • Projetos (mudanças maiores) Ex.: nova funcionalidade relevante, novo módulo, integração grande.
  • Estabilidade (para evitar problemas no futuro) Ex.: ações para reduzir quedas e instabilidades recorrentes (sem entrar em termos técnicos).

Por que isso importa? Porque cada tipo precisa de um “combinado” diferente. O que está crítico não pode disputar espaço com um pedido “bom ter”.

  1. Defina critérios de prioridade com foco em impacto no negócio Para decidir o que vem primeiro, use critérios simples e repetíveis. Por exemplo:
  • Impacto: isso aumenta receita, reduz custo, melhora operação ou atendimento?
  • Urgência real: existe um prazo inevitável ou é preferência?
  • Risco: se não fizer, pode dar prejuízo, travar operação ou gerar retrabalho?
  • Esforço: é pequeno, médio ou grande?

Com isso, você cria uma forma justa de decidir. O objetivo não é “pontuar bonito”, e sim tirar a prioridade do grito e levar para o impacto.

  1. Crie uma rotina fixa de triagem e planejamento (para não decidir no susto) Dois encontros curtos resolvem grande parte do caos:
  • Triagem (semanal) Entrou demanda nova? Está bem descrita? É crítica? Precisa de mais informação?
  • Planejamento (quinzenal ou mensal) O que realmente será entregue no próximo período, considerando o tamanho do time?

Regra essencial para dar previsibilidade:
Se entrou algo urgente no meio, algo planejado precisa sair. Caso contrário, você só acumula promessas.

  1. Combine expectativas: prazos de resposta e transparência Mesmo sem prometer “data exata” para tudo, você pode combinar:
  • Em quanto tempo a TI responde/triagem uma demanda nova.
  • Quais tipos de demanda têm prioridade.
  • Como as áreas acompanham o andamento (painel, e-mail semanal, reunião rápida).

Isso reduz ansiedade e diminui cobrança improdutiva.

Como manter o backlog saudável sem virar burocracia

  • Limite o que fica “em andamento” Quando tudo está sendo feito ao mesmo tempo, nada termina. Poucas coisas em andamento aumentam entregas.
  • Faça uma limpeza mensal Cancele o que não faz mais sentido, agrupe itens repetidos e ajuste prioridades conforme o negócio muda.
  • Dê visibilidade constante Um status simples já ajuda muito: Novo → Em triagem → Aguardando info → Priorizado → Em andamento → Em validação → Concluído

Erros comuns que colocam tudo a perder

  • Aceitar demanda por fora “só dessa vez” (vira regra).
  • Não exigir clareza mínima no pedido (vira retrabalho).
  • Tratar tudo como urgente (vira caos permanente).
  • Prometer mais do que cabe no time (vira descrédito).
  • Não comunicar o que foi decidido e por quê (vira pressão e conflito).

Conclusão: backlog organizado é previsibilidade para a empresa

Organizar o backlog não é burocratizar a TI. É dar clareza para a empresa decidir melhor, reduzir retrabalho e transformar “urgência constante” em planejamento.

Quando existe um canal único, um padrão simples de pedidos, critérios de prioridade e uma rotina de alinhamento, a TI entrega mais e as áreas passam a confiar mais. No fim, ganha o negócio: mais previsibilidade, menos caos.