Como integrar seu time interno com uma fábrica de software parceira
Se você já viveu isso, vai reconhecer na hora:
- O parceiro pede informação o tempo todo e “nada anda”.
- O time interno sente que precisa refazer o trabalho.
- As áreas de negócio reclamam que “TI não entrega”.
- Reuniões viram discussão de culpa, não de solução.
A verdade é simples: uma fábrica de software pode acelerar muito a evolução do seu sistema — mas só funciona bem quando existe integração de verdade. E integração, aqui, não é “todo mundo ter boa vontade”. É ter combinados claros.
A seguir, um roteiro direto para integrar time interno e parceiro sem criar burocracia.
- Comece pelo “por que” da parceria (e alinhe expectativa) Antes de falar de tarefas, responda:
- Por que estamos trazendo uma fábrica? (ganhar velocidade, ampliar capacidade, trazer especialização, reduzir gargalos)
- O que seria “sucesso” em 90 dias? (ex.: reduzir fila de demandas, entregar X melhorias, diminuir retrabalho, estabilizar o sistema)
- O que NÃO esperamos? (ex.: parceiro decidir tudo sozinho sem contexto, ou o time interno virar “suporte do fornecedor”)
Quando esse alinhamento não acontece, a empresa contrata achando que comprou “autonomia”, e o parceiro acha que comprou “lista de tarefas”. Aí nasce o atrito.
- Defina papéis de forma simples (quem decide, quem executa, quem aprova) Um dos maiores erros é deixar “todo mundo responsável por tudo”. Isso gera lentidão e confusão.
Modelo simples que funciona:
- Dono de negócio (ou representante): define prioridade e valida se entregou o que precisava.
- Ponto focal interno (TI/produto/operacional): organiza demandas, tira dúvidas, garante que o parceiro tenha contexto.
- Fábrica de software: executa, propõe soluções, aponta riscos e confirma entendimento antes de desenvolver.
- Aprovador final: pessoa/área que dá “ok” para ir para produção (ou para liberar para uso).
Regra de ouro: toda entrega precisa de um “dono de validação”. Sem isso, nada termina de verdade.
- Combine um “jeito único” de pedir (e pare com demandas espalhadas) Se o pedido chega por WhatsApp, áudio, reunião e e-mail, o parceiro vira secretário de recado e o time interno vira central de triagem.
Padronize a entrada com 6 informações básicas:
- O que precisa ser feito (objetivo em 1 frase)
- Por que isso importa (impacto no negócio)
- Quem usa / quem é afetado
- Como é hoje e como deve ficar
- Prazo (se existir) e o motivo do prazo
- Exemplos/prints/regras (se tiver)
Isso reduz ruído e acelera muito. Não é burocracia: é evitar retrabalho.
- Separe o que é “urgente de verdade” do que é evolução Sem essa separação, o urgente engole tudo e a parceria vira só apagar incêndio.
Crie dois trilhos:
Trilho A: Urgências reais (quando para a operação ou afeta cliente de forma grave)
- atendimento rápido
- comunicação clara
- pós-correção: registrar o que aconteceu e como evitar repetição
Trilho B: Evolução planejada (melhorias, novas funções, automações)
- entra no backlog
- passa por priorização
- vai para ciclos de entrega (semanal/quinzenal/mensal)
Isso dá previsibilidade para a empresa e reduz atrito com as áreas.
- Crie uma rotina leve de alinhamento (pouca reunião, mais clareza) Parceria dá errado quando só existe reunião grande e confusa. Ou quando não existe nenhuma.
Uma rotina simples (e suficiente para a maioria):
- Reunião curta semanal (30–45 min):
- o que foi entregue
- o que está em andamento
- o que está travado e por quê
- o que entra na próxima semana
- Atualização assíncrona (mensagem ou e-mail) 1x por semana: “Entregues / Em andamento / Riscos / Próximos”
O gestor não precisa virar fiscal. Ele precisa ter visibilidade.
- Garanta validação rápida (o gargalo escondido costuma estar aqui) Muitos atrasos não são “culpa do fornecedor”. São filas de validação internas:
- ninguém testa
- ninguém aprova
- o responsável está ocupado
- o pedido muda depois de pronto
Defina desde o início:
- Quem valida cada tipo de entrega
- Em quanto tempo a validação acontece (ex.: até 2 dias úteis)
- O que acontece se a validação não vier (ex.: item volta para fila e muda prioridade)
Validação rápida é o que transforma entrega em resultado.
- Combine o padrão de qualidade do que “consideramos pronto” Sem isso, ocorre o clássico: “entregaram, mas não é bem isso” ou “faltou um detalhe”.
Você não precisa falar de tecnologia. Fale de resultado:
- Está funcionando como o usuário precisa?
- O caminho principal está simples?
- Tem mensagem clara quando dá erro?
- Os dados estão consistentes?
- Alguém que não participou consegue usar sem explicação?
Isso cria um padrão de “pronto” que reduz retrabalho e frustração.
- Como evitar dependência e “reféns” (sem paranoia) Toda empresa tem medo de ficar refém do parceiro. A solução é organização, não desconfiança.
Peça e combine:
- centralização do histórico de demandas e decisões (para qualquer um consultar)
- documentação mínima do que foi mudado e por quê
- acesso e transparência do que está sendo desenvolvido
Isso traz continuidade e reduz risco.
Checklist de kickoff (para começar a parceria do jeito certo)
Se você está iniciando (ou reiniciando) uma parceria, faça esse kickoff:
- Objetivo da parceria nos próximos 90 dias
- Processos críticos do negócio (o que não pode parar)
- Quem é o ponto focal interno e o aprovador
- Canal único de entrada de demandas
- Como vamos priorizar (impacto, urgência real, risco, esforço)
- Rotina semanal (dia, horário, participantes)
- Regra de urgências (o que fura fila e o que não fura)
- Tempo esperado de validação
- Formato de status semanal
Isso sozinho já elimina boa parte do caos.
Erros comuns (para você reconhecer e corrigir rápido)
- Contratar e “sumir”, esperando que o parceiro adivinhe o que fazer.
- Time interno virar repassador de recados, sem dono do produto/processo.
- Demandas sem padrão e sem contexto (“faz isso aqui rapidinho”).
- Não separar urgência real de evolução.
- Falta de validação interna (entrega pronta, mas parada).
- Reuniões longas e improdutivas, sem decisões claras.
Conclusão: integração boa é o que transforma parceiro em aceleração
Fábrica de software funciona muito bem quando existe integração com regra simples:
clareza de papéis, fluxo único de demandas, priorização por impacto e uma rotina leve de acompanhamento.
Se você fizer isso, a parceria deixa de ser “terceirização” e vira alavanca: mais entrega, menos atrito e mais previsibilidade para a empresa crescer com o sistema.